O quão eu me conheço? É uma questão que tem ficado muito na minha cabeça, afinal para acontecimento da nossa vida precisa de uma justificativa. Entre tantas coisas que aconteceram e muitas delas eu não sei o porque ou como foram acontecer, hoje eu me deparo com essa questão de saber o quanto eu me conheço, se o que eu me tornei hoje é porque eu almejava ser ou porque eu fui seguindo o que outras pessoas achavam que era o ideal para mim.

           Não estou aqui para expor a minha história de fato, muito menos expor os acontecimentos que me marcaram de forma negativa, mas sim estou aqui afim de externar as questões que existem na minha mente e eu sei que não sou a única a pensar assim. Se fosse o caso eu seria a única pessoa na face da terra com depressão ou crises existenciais, o que não é o caso.




             Um questão que venho pensado também é, porque eu demorei tanto pra pedir ajuda à um profissional? Seria por medo e julgamentos alheios? Digo, quando você fala pra alguém que quer procurar ajuda de um psiquiatra ou psicólogo logo associam-se para a loucura. Isso é pré-conceito que as pessoas tem, mas na verdade é que todo mundo precisa de um acompanhamento psicológico, com certeza existiriam bem menos pessoas tóxicas no mundo. E dito isso eu cheguei a conclusão de que eu estava mais preocupada com o que os outros iam pensar se soubessem que eu estava em um tratamento com psiquiatra ou psicólogo, que evitei anos buscar ajuda.

              Pra ser sincera, eu procurei alguns psicólogos sim, mas a experiência não foi nada agradável o que fez com que por diversas vezes meu quadro depressivo piorasse e eu buscasse alternativas sozinhas de melhora. O que vemos claramente que funcionou por prazos curtos de tempo e me fizeram tomar decisões bem compulsivas e me submetesse a situações depreciativas desnecessárias. Mas, voltando ao foco, eu cheguei em um estado de fundo do poço em que eu me questionei entre acabar com tudo ou pedir ajuda, optei por pedir ajuda e deixei de lado qualquer pré-conceito ou opinião alheia de fora, eu realmente queria ajuda.

               A verdade é que ninguém quer de fato acabar com tudo, a gente quer se encaixar e entender. O problema é que o sistema não foi criado de forma aberta para todos e o fato de pessoas acharem que são perfeitas e não procurarem acompanhamento psicológico fazem com realmente seja uma sociedade tóxica e vão moldando as pessoas de forma mais tóxica ainda.

               Voltando a pergunta inicial, sobre o quão eu me conheço, a verdade é que eu não me conheço. A visão que eu tenho de mim é tão oposta ao que muitos dizem que eu sou. Onde eu estou e onde eu queria estar são coisas bem distintas e distantes, assim percebo que muito de mim eu fui levando e fui me moldando na base do que achavam que eram pra mim. Hoje a insegurança e a incerteza de ser eu me tomam, porque eu me tornei um personagem moldado que tem a "rebeldia" de querer ser o que é. Posso dizer que hoje estou fazendo acompanhamento com psiquiatra (tomando medicamentos) e com psicólogo (psicoterapia), pra me tornar uma pessoa melhor, uma pessoa mais eu, para desconstruir diversas toxidades que jogaram em mim e que eu joguei nas pessoas. Um processo de evolução, de autoconhecimento, é doloroso mas vai valer a pena.



MB.


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